VORAGEM

Exposição - Entre Partos - 2021

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“Entre Partos” é uma (re)visita a lugares físicos, simbólicos e afetivos de quinze mulheres artistas — circunscritas no Meio-Norte brasileiro — que compreendem o conceito potente e plural do vocábulo “parto(s)”. As construções identitárias são processos não lineares que perpassam por projeções simbólicas articuladas às práticas cotidianas, trazendo à tona alteridades e discursos próprios de grupos humanos, que delineiam parâmetros para narrativas compartilhadas e conexões palpáveis.

 

Alinhando a poética visual das artistas e o diálogo intrínseco entre concepções imagéticas,

buscou-se dilatar possíveis leituras de um “parto-de-si”, enquanto temática primeva,

trazendo raízes profundas que engendram ideações variadas e legítimas, levando a

uma possibilidade orgânica de vivenciamento do mapa-do-eu.

Da constelação formada pelas produções artísticas dessas mulheres,

— de diferentes experiências e marcadores sociais — cinco eixos

temáticos  emergem: partir | traçar | buscar | gestar | expandir.

 

O imperativo “partir” aponta o início de uma trajetória identitária

mais genuína, questão-ação presente nas obras de A. Esmero,

Valmira Sabino, Maria e Akemi Morais. Partir de espaços que

aprisionam,  abandonar percepções que fragmentam, opiniões que

partem o sentir,  medos que podam o existir, retirar-se de relações

que consomem e adoecem, desprender-se de moldes incoerentes.

 

Ao “traçar” quem veio antes-do-eu, rastreia-se a própria origem e

existências femininas outras. Um retorno ao útero que me gerou e ao útero

que gerou quem me gerou: coletas vestigiais de mulheres fortalezas.

Inicia-se, então, a conexão dos fios existenciais em um movimento que

descende para depois ascender com mais fôlego, como percorrem Mika, Donaline,

Maria Laura e Railane Raio em suas poéticas.

 

O “buscar” continua pelo entrelaçar dos fios emergentes em direção ao eu.

Nesse processo introspectivo, Alana Santo, Ana Cândida e MCL perscrutam

diferentes perspectivas desta viagem inquietante. A pesquisa subjetiva se

torna  também um estudo do corpóreo e, a partir da matéria

(carne, pele e ossos),  a rota-desassossego indica o axioma da angústia àquelas

que estão dispostas a recuperar-se.

 

Tudo converge ao “gestar” dessa corrente fecunda que, desde o “partir”, vem sendo

ressignificada acuradamente. Do observatório do invisível, olha-se, sente-se, compreende-se e constata-se: estava ali, como aguçam Yana Tupinambá e Amanda Vieira. Atenta e lenta, a presença se aproxima da existência até “expandir-se” em atividade contínua e desafiadora. 

 

O vértice desse processo autoguiado é a expansão: desmedida, intensa, imensa, voraz. Energia que não se evita e nem se quer evitar: vórtex. Força e resistência que brotam da terra e que com o universo se alinham, como Jessica Gomes e H.M cosmo-mapeiam em suas criações. 

 

Por meio desse cordão-poético, sugere-se um mapa de regenerescência feminina livremente concebido a partir das obras das artistas do Coletivo Voragem, não sendo, assim, uma interpretação definitiva desse acervo. Equatoriando em contextos compartilhados, partindo de conflitos unos para conjecturar futuros multi, essas mulheres criadoras acontecem e estabelecem nas manifestações artísticas conexões visíveis com outras mulheres e consigo mesmas. 

Alana Santo

Curadoria

Coletivo premiado pela Lei Aldir Blanc Estadual [SECULT - PI] na Categoria Bolsa Grupo

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